Na manhã de 16 de dezembro, terça-feira, a poucos dias do Natal, a polícia descobriu cinco cargas de explosivos em um dos andares da famosa loja Printemps de Paris, no boulevard Haussman. Um grupo terrorista até então desconhecido do governo francês, e auto-denominado Front Révolutionnaire Afghan, teria reinvindicado a tentativa de atentado por meio de uma nota à agência France Press. Segundo a polícia, os explosivos eram velhos não tinham como ser detonados. De todo modo, a loja foi evacuada e o quarteirão foi isolado por algumas horas.
Um dos assuntos polêmicos da semana foi a estrondosa vaia durante a execução da Marselhesa, antes do início da partida entre as seleções de futebol da França e da Tunísia, em pleno Stade de France, na última terça-feira à noite (14 de outubro). O ocorrido foi visto como insulto à França, causou indignação a muitos, e transformou-se em problema político já no dia seguinte, quando o presidente Sarkozy cobrou explicações do presidente da federação de futebol. O secretário de Estado da pasta de esportes chegou a sugerir que a França não mais dispute partidas contra equipes do Magreb na capital, em retaliação à vaia. A ministra dos esportes cogitou a possibilidade de suspender os jogos caso o hino seja vaiado. Os jornais entrevistaram jovens de origem tunisiana e argelina ("vaiar a Marselhesa é obrigatório", disseram eles) e lançaram enquetes para saber qual a opinião do público: insulto? deve-se cancelar os jogos? a história colonial justifica a vaia? O que fazer? E como nessas horas eles sempre aparecem, os sociólogos sugeriram esfriar o caso e minimizar sua dimensão política, afinal de contas, o estádio é um dos poucos lugares onde ainda dá para se manifestar publicamente. No futebol, se o choro é livre, a vaia também pode ser. O governo francês bem que poderia fazer um curso de aperfeiçoamento no Maracanã, onde, alguém já disse, vaia-se até minuto de silêncio. Um certo presidente de um certo país em certos jogos panamericanos já sentiu o gostinho...
Mas nem todo mundo está satisfeito. Em frente à praça Saint Michel, um grupo de trabalhadores imigrantes pede a regularização de seus documentos, com o aval dos socialistas.