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jeudi 16 octobre 2008

A vaia à Marselhesa

Um dos assuntos polêmicos da semana foi a estrondosa vaia durante a execução da Marselhesa, antes do início da partida entre as seleções de futebol da França e da Tunísia, em pleno Stade de France, na última terça-feira à noite (14 de outubro). O ocorrido foi visto como insulto à França, causou indignação a muitos, e transformou-se em problema político já no dia seguinte, quando o presidente Sarkozy cobrou explicações do presidente da federação de futebol. O secretário de Estado da pasta de esportes chegou a sugerir que a França não mais dispute partidas contra equipes do Magreb na capital, em retaliação à vaia. A ministra dos esportes cogitou a possibilidade de suspender os jogos caso o hino seja vaiado. Os jornais entrevistaram jovens de origem tunisiana e argelina ("vaiar a Marselhesa é obrigatório", disseram eles) e lançaram enquetes para saber qual a opinião do público: insulto? deve-se cancelar os jogos? a história colonial justifica a vaia? O que fazer? E como nessas horas eles sempre aparecem, os sociólogos sugeriram esfriar o caso e minimizar sua dimensão política, afinal de contas, o estádio é um dos poucos lugares onde ainda dá para se manifestar publicamente. No futebol, se o choro é livre, a vaia também pode ser. O governo francês bem que poderia fazer um curso de aperfeiçoamento no Maracanã, onde, alguém já disse, vaia-se até minuto de silêncio. Um certo presidente de um certo país em certos jogos panamericanos já sentiu o gostinho...